William Shakespeare
William Shakespeare (1959), de Celita Vaccani, apresenta-se como um exercício refinado de síntese formal e expressividade contida. Executada em gesso e concebida a partir da técnica da moldagem em baixo-relevo, a obra propõe uma leitura escultórica do célebre dramaturgo inglês que se afasta da representação volumétrica integral para explorar a relação entre figura e plano.
A cabeça masculina emerge parcialmente de um fundo reto, projetando-se em saliência para a direita e ocupando menos da metade do volume real, recurso que intensifica o diálogo entre presença e ausência, cheio e vazio. Essa solução formal evidencia o interesse da artista pela economia de meios e pela potência expressiva do relevo, aproximando a escultura de um campo limítrofe entre tridimensionalidade e bidimensionalidade.
A escolha do baixo-relevo reforça o caráter reflexivo da obra, sugerindo uma imagem que se constrói tanto pelo que se revela quanto pelo que permanece latente no plano. Mesmo apresentando sujidades e fissuras localizadas, o estado de conservação é considerado bom, e essas marcas do tempo podem ser compreendidas como vestígios materiais da trajetória histórica da peça. William Shakespeare insere-se, assim, no conjunto de obras de Celita Vaccani que articulam rigor técnico, sensibilidade plástica e diálogo com a tradição escultórica, reafirmando sua contribuição singular para a escultura brasileira de meados do século XX.
Dimensão:
Diâmetro: 48 cm; Profundidade: 3 cm
Técnica:
Baixo-relevo executado pela técnica de moldagem em gesso.
Estado de conservação:
Bom. Apresenta sujidades, manchas de tinta e fissuras nos quadrantes direito, superio e inferior; e rachaduras no suporte para pendurar em arame.
Descrição visual:
Baixo-relevo em gesso executado pela técnica de moldagem, com Figura masculina de “William Shakespeare” projetada em saliência para a direita e aderida a um fundo reto, representando menos da metade do volume real de uma cabeça.
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