Celita Vaccani
Celita Vaccani (1913-2000), escultora brasileira, destacou-se por sua contribuição ao campo da escultura, transitando entre o figurativo e o abstrato, com grande domínio técnico. Aos nove anos de idade, começou a frequentar o ateliê na casa de Rodolpho Bernardelli, destacado escultor de sua geração. Após a morte de Rodolpho, ela continuou seus estudos como discípula de Otávio Corrêa Lima, outro importante escultor da época. Mais tarde, ingressou no curso de Escultura da Escola Nacional de Belas Artes da Universidade do Brasil (atual Escola de Belas Artes/UFRJ), onde conquistou premiações importantes, como o Prêmio Caminhoá, que lhe proporcionou uma experiência enriquecedora na Europa em 1937.

Em 1944, Celita passou a integrar o corpo docente da Escola Nacional de Belas Artes, como assistente da disciplina de Modelagem, tornando-se em 1950 livre-docente de Escultura e, em 1956, catedrática de Modelagem. Além de lecionar, realizou pesquisas sobre métodos de ensino nos Estados Unidos, participou de intercâmbios culturais com o Conselho Britânico e em 1964 foi eleita vice-diretora da ENBA. Foi também a primeira mulher a integrar a Academia Brasileira de Artes, em 1985.
Sua trajetória artística revela a negociação entre tradição e inovação. Embora inicialmente influenciada pelos cânones da escultura clássica, Celita transcendeu essas bases, criando uma obra eclética marcada pela exploração de formas, técnicas e materiais, experimentando diversas linguagens com pedra, gesso, bronze e ferro. A produção de Celita combina tradição clássica com modernidade, buscando equilíbrio e síntese na volumetria, com apurado domínio técnico. Apesar da diversidade temática e técnica, suas obras evidenciam sua assinatura artística inconfundível.
Contribuições ao Ensino de Escultura
Como professora, Celita Vaccani renovou o ensino da escultura com uma abordagem criativa e rigorosa. Em sua tese para o concurso de Catedrática de Modelagem, apresentou um estudo histórico e técnico sobre o Baixo-Relevo, abordando seus tipos (Normal e Perspectivo), funções (Arquitetural, Monumental e Funerário), e aspectos como composição, materiais e restauração. Sua pesquisa enriqueceu o ensino da escultura e contribuiu para a preservação do patrimônio artístico.
Celita rejeitava rótulos e dogmas. Sua modernidade era uma extensão orgânica da tradição, integrando elementos figurativos e abstratos com liberdade e renovação. A síntese de antíteses e o desejo de realização artística com variadas possibilidades formais compõem sua obra, transcendendo traços estilísticos e temporais.




